segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Um ET em sua cozinha


    Já passava das três da madrugada quando desperto do sono – será minha insônia voltando a dar seu ar da graça?
Estava ligeiramente com sede. Quando me levanto e vou até a cozinha me deparo com algo assustador, esquisito e inusitado. Não dava bem para definir o que era aquilo, ou quem era. Só sei que não era nada parecido com o humano, pelo menos era o que eu então acreditava.
O Ser não identificado se assusta com minha presença e derruba uma xícara que estava segurando. – não acreditei, Ets também tomam chá?! – Pelo que bem me parecia, ele era um extraterrestre, mais estranho que nos filmes e mais dócil também. Com uma voz de pato animado o "Senhor não identificado" pede desculpas, meio novato no Português.
Eu estava sem reação – o que fazer com um ET em sua cozinha? – Antes que eu pudesse dizer ou fazer algo ele pula a janela, numa incrível rapidez, e vai embora. Então uma luz vem do lado de fora, invade a cozinha e logo desaparece.
Depois do acontecido fiquei sem saber se fora real ou mais uma pegadinha da minha atual amiguinha, a insônia. Em casos de dúvida eu subo a meu quarto e, encerrando minha incrível noite, volto a dormi.

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sábado, 23 de abril de 2011

Conversando com o Sol

Por incrível que pareça agora não chove. Um Sol quente de fim de tarde, minha melhor paisagem. Apoiada na janela de braços cruzados olhando o sol no horizonte distante, tentando eu entender se o que estou fazendo é certo. Se pudesse ser dito que algo nessa vida é certo.
Esperar? Ou enxergar além do óbvio?
Ver o que não está na minha frente tentando chamar a atenção. Esperar... Esperar o quê? Algo que não existe, algo que só existe na minha imaginação. Algo ainda não formado, só desejado.
Por que demoras tanto? Não estou fazendo o certo?
O que é o certo? O que devo fazer até você chegar? Estou sendo tola em admirar o sol e me interrogar? Ou interrogar a algo que ainda não existe?
Você.
Medo de não te encontrar. Medo de descobrir que não existes. Medo de te amar.
Me mande uma carta, um sinal. Desça. Me ilumine! O que mais queres de mim? Aquilo que eu não possa te dar? Assim como eu te cobro... Demais.
Caramba, que tola.
O Sol já está se pondo e eu aqui, delirando.
Ei! Não se preocupe, não preciso fugir, eu vou continuar aqui, te esperando.

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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Dizer sim ou ... talvez

estou eu, sem saber se digo sim, ou talvez.
Era pra ser uma baita despedida de solteira, mas a festa sou eu e um Campari pela metade. Ainda não estou bêbada, estou semi bêbada. Tenho que guardar o resto para o big dia.
Tenho medo de traçar um destino que talvez não seja o meu.
E por acaso a mim cabe decidir? Porque dissemos sim, em vez de esperar no altar uma resposta cair como um sinal do céu?
Que tolos.

Minha família gastou milhões numa cerimônia que ocorrera num dia e que comemorará aquilo que deve durar uns dois, três anos. É o risco que eu vou tomar?
Ah! Não me desconcentre. Estou contando os copos
que tenho que tomar ate ficar literalmente bêbada. Ou será que eu já não estou e já não tenho a capacidade de afirmar que estou?
Gosto de cachorros, ele de elefantes. Eu curto opera e ele Michael Jackson. Talvez eu seja a chata.
Opa! Um erro. Eu curto Michael e ele Fantasma da Opera. Então ele é o chato, e eu uma louca indecisa que passou da conta.

O pior de tudo é que ele cozinha como um Deus vestido naquele avental florido que eu comprei no inverno passado tentando loucamente aprender a fritar ovos. Ou apenas a fazer panquecas.

Que egoísta Maria Luiza! Você quer um homem ou alguém que não deixe você estragar suas unhas ou botar fogo na casa nos finais de semana?
E então, qual é o seu decreto? Eu devo dizer sim ou talvez?

Ah, que se dane!

Se durar dois ou três anos, vai ser longos dois ou três anos ao lado do homem que fez seis meses serem eternos.
Eu digo sim à vida que terei ao seu lado meu amor.

“Que não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja infinito enquanto dure.”

Droga! Acabou o Campari.

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sábado, 23 de outubro de 2010

Talvez mais um, final feliz

No finzinho da tarde estava voltando pra casa, quando avistei no chão do passeio um passarinho. Parecia estar morto. Oh coitadinho! Como será que ele morreu?
Peguei-o com as minhas mãos e comecei a examiná-lo (esqueci de mencionar que também sou enfermeira nas horas vagas). O bichinho de repente abriu os olhos e se levantou todo desengonçado, parecia ter machucado a asa e na tentativa de sobrevivência, se fingiu de morto. Foi essa a teoria mais sensata que pude bolar. Depois o levei para casa. Eu sei, você vai dizer que tenho problemas psíquicos. Mas eu não estou nem aí pro que você vai dizer. A minha atenção, naquele momento, estava toda voltada para a missão de ajudar um passarinho inofensivo machucado. Aliás, achei passarinho um nome muito comum pra ele, que tal Alfredo? Ou talvez, Jiló? O problema era que eu não sabia se ele era passarinho ou passarinha. Eis a questão.
O coloquei em uma gaiola de hamister.
Sempre tive uma gaiola de hamister em casa, chovia fazia sol ela estava lá, intacta. Sem hamister.
Antes de dormir, coloquei varias coisas na gaiola. Uma banana e um vasinho com água. Dizem que passarinho toma banho, mais até mesmo do que eu.
Enfim, deitei e apaguei.
No outro dia, logo cedo. Fui ver se ele não tinha se suicidado na gaiola (vai saber, esses bichos são sensíveis), mas para a surpresa geral da nação, não havia passarinho na gaiola e muito menos banana e água. Foi apenas mais um sonho. Maluco.

Ps: espero eu que no sonho eu tenha salvado o Jiló e ele tenha voado feliz para casa.

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sábado, 24 de abril de 2010

Desencontros

(imagem: deviantART)

Sonhei com você, um sonho um tanto que estranho. Você parecia fugir de mim, ou era eu? Bem, isso não é de tamanha importância, só sei que era uma confusão e nós não nos encontrávamos. Lembro que minha mãe não consertara a calça que eu usaria ao teu encontro e isso me aborrecia intimamente, eu chorava e gritava com ela: “Por que, por que nada do que eu peço você faz?!” chorando feito uma bezerra desmamada(sabe como é sonho), parecia que era a única calça existente na face da terra e que outra roupa não seria tão adequada àquela ocasião.

Eu sabia que era a primeira e última vez que você veria para cá, e que eu realmente precisaria te encontrar, mas a onde? Quando?

Sempre me perdia.

Vários desencontros.

Até uma hora em que desisti. Mesmo sem a calça jeans eu queria te encontrar, não podia perder aquela oportunidade de te ver pela primeira vez. Sentei num banco de uma, aparentemente, sorveteria e ali fiquei pensando que tudo aquilo não servira pra nada. E de repente você vem em minha direção, sem ter certeza se era eu aquela individua mal arrumada, senta em outro banco e diz algo que não me recordo, e então eu solto um sorriso aparentemente para disfarçar a tristeza que passara no instante em que te vi. Porém, para o aborrecimento geral da nação, eu acordei. Antes mesmo de ter respondido a algo que você dissera. Pelo menos eu ouvira a sua voz.

E isso me fez lembrar que minha mãe não concertará a minha calça tão cedo.


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sábado, 30 de janeiro de 2010

Viver é melhor que sonhar


Caramba, como isso pesa! Acordar tão cedo pra ir trabalhar. Quer saber!? Hoje eu não vou, um dia sem trabalhar não mata ninguém, fortalece. Irei ficar aqui na caminha com o Rock tirando um cochilinho porque eu mereç... Dormi.

Sonhei. Acordei. Cabeça doendo. E no telefone a Geisi, secretária do patrão pedindo explicações do meu chá de sumiço. Que aliais é tiro e queda. Nos outros dois dias que viriam eu não sabia, mas iria dormir como uma bela adormecida. Não sei o que estava me dando. Cansaço talvez?!

Eu podia ver nos olhos do Rock a acusação, ele não comia direito e hoje sua ração tinha acabado.

Então, me levanto e abro a geladeira, tudo vazio. Como eu pude deixar isso acontecer? Nem to de dieta.

A secretária de novo e desta vez ou eu aparecia eu ele me demitia. Triste fim, tudo ia terminar assim? O rock não dizia uma palavra, já estava sem forças e minha cabeça ainda latejando. A única coisa que sobrara era um atum enlatado, e Rock não era nenhum gato, mas bem que eu tentei alimentá-lo. Tinha que tomar uma providencia, então fui ao medico, que me agnosticou preguiça. Não! Como eu, sempre tão atento ao trabalho poderia ter dormido cinco dias em carreados?!

Tinha que passar no trabalho, dar explicação daqueles dias tão bem dormidos e cochilados. A Geisi não acreditou. Me esculachou. E disse que era melhor eu inventar uma história bem elaborada. Patrão nem deu bola, me abraçou antes de qualquer palavra, ele pensou que eu estava doente o que não desmenti já que tinha ido ao médico, disse ser apenas uma virose e ele tão bobo acreditou. Ficou feliz, afinal não era fácil achar o melhor empregado do departamento que agüentasse dez anos com o mesmo pagamento. Apesar dos pesares voltei pro trabalho, pra minha vida e pro meu cachorro. E descobri que... viver é melhor que sonhar.



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sábado, 21 de novembro de 2009

Uma crise de FAMA

É, essa é a minha cara. A cara de mais uma pop star qualquer sem maquiagem, um ser normal e patético.

Cansada, é com isso que meu marido vai acordar, não com uma cantora bem sucedida, mas com uma profissional explorada.

Rsrsrs parece sacanagem.

Todos querem estar onde estou, lutei pra isso e consegui. O pior é que eu todos os dias me lembro que tenho que sustentar isso.

Lembro-me também de todas as vezes que tive vontade de peidar na TV ou durante uma entrevista. E das vezes em que chorei quando vi fotos minhas deprimentes na internet.

Sim, o meu tempo livre é gasto no psicanalista e no cinema.

Acho tão ridículo essas meninas quererem ser iguais a mim, ou a qualquer outra celebridade. Covers? Não é esse o nome? Num já basta uma eu no mundo não?

Todos os dias quando acordo eu tenho que olhar pra minha cara no espelho e quando saio na rua ainda tenho que dar de cara com uma menina “vestida de mim” gritando feito uma louca o meu nome e ainda tenho que sorrir. Bem que eu podia dar um toque naquela girl:

-Que é isso bem? Você não tá legal, tá patética.

Uhm, um dia eu ainda faço isso. O.o

Quando chego a minha casa morta e deprimida nem uma coca eu posso tomar(muito menos um Uísque), só se for quente. Sabe né? Minha voz, minha gloriosa voz!

Se já tive vontade de tragar uma droga de um êxtase? Sim. Agora mesmo, por exemplo.

Não sou um modelo a ser seguido como pensam, meu cabelo é sem brilho, tenho celulite, estrias, manchas de acne, perebas, remela e defeco sempre que meu estômago acha necessário, como uma pessoa normal.

Maquiagem, cabeleireiro e estilista, isso tudo é marketing querida.

Não estou só cansada de trabalhar, mas cansada do trabalho.

É bom ser famosa, tem seu lado interessante, mas quando se passa dos 15 minutos de fama você enjoa, cansa e é tédio pra tudo que é lado.

E você não pode chingar ninguém se não vai parar no youtube.

Tô pensando em largar essa minha carreira, quem sabe não viro gente e volto a sorrir.


Eu sou Lily e quero dormir.


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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Velhice.


-Vamos lá, temos a noite toda pela frente!

Foi o que li nos olhos do meu Poodle. Sim, delírio, foi o que pensei de primeiro momento. Já estou nos meus 75 anos, viúva e solitária. Minhas noites são quase todas assim, na varanda, a observar a lua, que tanto se parece comigo.


Sabe, quando chegamos nessa idade, temos somente de pensar em como iremos morrer. Parece engraçado, mas amedronta. Já presenciem muito de meus amigos e parentes morrerem de velhice e nem todas eram tão rápidas ou quando estavam dormindo como pensam. Muitos entrevavam, passavam por varias cirurgias, aquela agonia, mas que no final não adiantava em nada.

Acho que cada um tem o fim que merece.


- Vamos pra onde Luck?! Há essa hora?

Talvez eu já esteja ficando gá gá. Mas agora me deu, de repente, uma vontade de sair por essas ruas com o meu cão, sem medo de ladrão nem escuridão. Sim, uma noite de aventura, por que não?

É maldade dizer que os velhos já estão mortos. Tantas crianças, adolescentes e jovens que vi nascer, já morreram. Morreram antes da tia aqui.

Deus é irônico.

E com essa ironia ele faz a justiça. Não! Não estou falando dos novos morrerem antes dos velhos. E sim da vida. De como o mundo dá voltas. De como o rico fica pobre e como o pobre fica rico.

Lá fomos nós. Rumo ao desconhecido. Pus a coleira no Luck e saímos a fora. Já passava da meia noite, rua deserta. Melhor. Assim, não teria ninguém pra gritar:

-Titia! Vai pra casa, está perigoso.

Saímos em direção a leste. Devagar, sem pressa de voltar. O luck parecia que realmente queria passear está noite. Estranho, ele é tão quieto, malmente me informa quando quer fazer suas necessidades.

O tempo foi passando. Paramos em uma praça. Vimos quase ninguém. Interior é assim mesmo, passou da meia-noite a cidade para. Engraçado.

No banquinho da praça dei uns biscoitinhos ao Luck, que agora, sentado em meu colo começara a brincar com a minha mão. Nem sei q horas era só sei que a noite estava uma delícia, clima gostoso. Mais umas horinhas ali e voltamos a caminhar para casa. Passos lentos. Sem pressa. O luck estava aceso como nunca. Pareceu bem contente com a noitada.


Mais alguns minutos e chegamos em casa. Sim, parecia loucura, mas me orgulhei da aventura.

Ele estava com uma carinha de cansado.

Entramos, liguei a luz, fechei a porta e fomos para meu quarto, ultimamente ele estava esquentando meus lençóis, minha única companhia. Então, quando fechei os olhos, o Luck fechou os deles também, a noite parecia sim, pela

primeira vez, uma criança. Inocente, tranqüila, linda e nova.


E desse sono, nunca mais acordei. Mas te juro, que foi infinito enquanto durou.


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sexta-feira, 22 de maio de 2009

Um jantar, um risoto e um pretendente...


Coloquei as chaves sobre o centro da sala, tirei os sapatos, joguei a bolsa no sofá e corri pro banheiro. Como a lei da gravidade, sempre que estamos perto de casa da vontade de fazer xixi. Enfim, estava com pouco tempo, tempo para preparar um jantar que fisgasse o coração do novo pretendente, nem que fosse através do estômago.
Tinha marcado para as sete, e sai do trabalho às cinco e meia, para conseguir chegar as seis em casa, no mínimo. Pelo caminho, encontrei um restaurante italiano, onde entregava seu jantar a domicilio.

Perfeita opção! – Pensei comigo mesma.

Mas entendi que se fosse para começar um novo relacionamento, não poderia ser com mentiras. Porque obviamente eu iria dizer que tinha preparado o jantar com todo o amor ao invés de admitir que o comprei no restaurante da esquina.
Então passei direto, e disse a mim mesma: Regina, hoje tu vai ter que aprender a lidar com o fogão.
A palavra “nunca” séria um exagero, mas raramente eu cozinho alguma coisa. Então fui ver se ainda sou capaz de fazer o prato típico da família, o risoto de bacalhau.
Liguei o som, coloquei aquele CD que dá um climinha legal, peguei os ingredientes e os coloquei sobre a mesa, e dei uma olhada no livrinho de receitas da vovó, só pra garantir.
Depois de todo o trabalho feito, parecia que sairia um bom resultado, coloquei no forno e fui arrumar minha roupa. Fiquei indecisa entre o vermelho(sexy) ou o pretinho(básico), como toda mulher hoje em dia, nessa altura do campeonato, causar uma boa impressão é o primeiro passo para o altar. Apesar de não estar pensando em casamento.
Faltava menos de meia hora para ele chegar e eu ainda estava escolhendo o modelito certo no quarto, quando senti um cheirinho estranho.

- Não Creioo!!

Sim, era o risoto. Queimado. A cozinha estava numa fumaceira só, e eu quase chorando. E agora, não dá para fazer outro! O jeito é... O restaurante Italiano.

- Uhum, que delícia! Tu cozinhas bem.
-Ahh... Obrigado! Fiz com todo carinho, pode ter certeza, especialmente para você.


Não tem jeito,
uma mentirinha saudável faz parte da vida.
Ou você mente, ou você perde a chance de uma noite só sua.
;)

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quarta-feira, 6 de maio de 2009

...


O sono estava uma delicia, mas o som do despertador hoje não me irritou, juro! Nem um pouquinho.
Afinal, ele despertou às oito da manhã, não às cinco e meia como de costume. Pela primeira vez no ano eu levanto sorrindo, me sentindo leve. De pijama eu vou direto a geladeira pegar, bocejando, o iogurte, o qual eu comprei a mais de um mês e não havia se quer dado um gole. Como era bom passar por aquela sala, alisar minha gata e dá uma golada gostosa naquele negocio.
Talvez você não esteja entendendo muito a minha situação. É que quando você tem um namorado vagabundo e um emprego o qual te faz morrer para a vida, esses pequenos prazeres são tomados de você.
E ontem, aaah ontem, foi tão massa!
Eu estava me relacionando com um homem o qual eu percebi que tomava todos os meus iogurtes, a metade da minha cama, sujava o meu banheiro e acabava com os meus domingos.
Eu achei que já deu, já deu a hora dele vazar da minha vida. E o desejei toda a felicidade do mundo!
O emprego? Há! Vai sentir minha falta. Vai sentir a falta daquela mulher pontual, que estava em todas as reuniões e que se matava pra resolver tudo em troca de um misero salário, que não pagava nem um terço do que eu valia ali dentro.
Acordar sem nada disso é tão bom! Colocar aquela roupa justa de malhar pela primeira vez, porque antes você não tinha tempo nem de correr, era bom, muito bom.
Saí do apartamento e encontrei com a minha vizinha no elevador. Que por coincidência, também iria dar uma corridinha na praia.

-Menina!! O que eu faço? Não tenho tempo pra nada. Hoje deixei de fazer as compras, pra correr na praia. Você acredita nisso?
Que engraçado, pensei que era só eu. Mas vi logo que não. Nós temos que olhar ao redor, mas olhar atentamente, até perceber o que está errado.
Daqui pra frente minha amiga, pode ter certeza, tudo vai ser diferente.

“Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei...
Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem...”

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